GT 1: LITERATURA, GÊNERO E DECOLONIALIDADE: ESCRITAS
AFRO-INDÍGENAS FEMININAS NA CONTEMPORANEIDADE
Prof. Me. Igor
Marangon (UNIFASIPE - GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)
Profa. Ana Lucia
Ponciano Ribeiro (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)
Este Grupo de Trabalho (GT)
propõe discutir de que modo as produções literárias de mulheres indígenas e
negras vêm reconfigurando o cenário da literatura contemporânea, tensionando
estruturas históricas de exclusão e deslocando os critérios tradicionais de
legitimação estética. Partindo das reflexões de Regina Dalcastagnè (2005)
acerca das assimetrias de representação no campo literário, compreende-se que a
formação do cânone nacional esteve profundamente marcada por perspectivas
masculinas, brancas e eurocentradas, o que contribuiu para a marginalização
sistemática de autorias afro-indígenas femininas. Em contraposição a esse
processo, as escritas de mulheres negras e indígenas afirmam-se como práticas
estéticas e políticas que articulam memória coletiva, ancestralidade,
pertencimento territorial e elaboração identitária. A noção de escrevivência,
formulada por Conceição Evaristo (2021), bem como as contribuições dos
feminismos negros em bell hooks (1994) e Angela Davis (2018), oferecem
instrumentos críticos para compreender essas produções como formas de inscrição
da experiência histórica no texto literário. No mesmo horizonte, as reflexões
de Frantz Fanon (2008) sobre colonialidade e subjetividade iluminam os
processos de resistência que atravessam tais narrativas. As epistemologias
indígenas e afro-diaspóricas, presentes em Ailton Krenak (2019), Márcia Kambeba
(2019; 2023) e Eliane Potiguara (2018), reforçam a centralidade da oralidade,
do território e da cosmologia como matrizes estruturantes dessas textualidades.
Dialogam, ainda, com os estudos culturais de Stuart Hall (2003; 2016) e
Clifford Geertz (2008), bem como com as reflexões de Sueli Carneiro (2012),
Cuti (2010; 2016), Figueiredo (2016), Santos (2016) e Souza (2016), que
problematizam identidade, representação e literatura negro-brasileira. O GT
acolherá trabalhos que investiguem obras literárias, trajetórias autorais,
circulação editorial, recepção crítica e intersecções entre literatura,
performance e outras linguagens artísticas. Pretende-se fomentar debates que
evidenciem como essas produções reivindicam espaço no campo literário, bem como
instauram novas formas de pensar estética, autoria e conhecimento, consolidando
a literatura como território de memória, resistência e transformação social.
Palavras-chave: Literatura afro-indígena, Literatura
feminina, Decolonialidade.
GT 2: ESCREVIVÊNCIA E IDENTIDADE: O CORPO-TERRITÓRIO NA
LITERATURA DE MULHERES NEGRAS
Prof. Me. Ednaldo Saran
(GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)
Profa. Ma. Luciane
Ferreira (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)
Profa. Ma. Suellen de Souza Tessari (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)
Este Grupo de Trabalho (GT)
propõe uma imersão crítica nas produções literárias de autoria feminina negra,
tomando como eixo central o conceito de escrevivência, cunhado por Conceição
Evaristo. A proposta busca investigar como o ato de escrever, para a mulher
negra, transcende a mera ficcionalização para se tornar um registro político de
subjetividades que, historicamente, foram silenciadas ou reduzidas a
estereótipos pelo cânone literário hegemônico. A fundamentação do GT parte da
premissa de que a escrevivência não se limita a um relato autobiográfico, mas
configura-se como uma cartografia da identidade. É o movimento em que a
vivência individual se entranha na memória coletiva da diáspora, transformando
a dor, a resistência e o cotidiano em material estético, filosófico e
pedagógico. Nesse sentido, a literatura é compreendida como um
“corpo-território” onde se resgata a humanidade roubada pelo colonialismo e
pelo patriarcado. O debate será articulado a partir de trajetórias literárias
que tensionam essas fronteiras, como a de Eliane Alves Cruz (2022), que
reconstrói a memória histórica e ancestral da diáspora; a de Luciene Carvalho
(2020), cuja poética visceral estabelece o corpo negro como “lugar de fala”
(Ribeiro, 2019) e poder no cenário mato-grossense; e a de Tereza Albues (1995),
que contribui para a discussão sobre subjetividade e a relação identitária com
o espaço. O GT acolhe, ainda, estudos sobre outras autoras negras que utilizam
a palavra como ferramenta de autodefinição e denúncia. O objetivo é promover um
diálogo transdisciplinar entre a literatura, filosofia, sociologia, direito e
os estudos de gênero, reafirmando que, ao escreverem suas vivências, essas
mulheres não apenas narram o mundo, mas o reexistem. Espera-se que as
comunicações apresentadas contribuam para o fortalecimento de uma crítica
literária descolonial, capaz de reconhecer a escrevivência como um paradigma
epistemológico essencial para a compreensão da identidade brasileira e suas
regionalidades na contemporaneidade.
Palavras-chave: Escrevivência;
Identidade; Literatura Negra Feminina; Mato Grosso; Memória.
GT3: A LITERATURA
NEGRO-BRASILEIRA:CONVERGÊNCIA ENTRE MEMÓRIA COLETIVA E RESISTÊNCIA NOS ESPAÇOS
PERIFÉRICOS
Prof. Me. Thiago
Monteiro do Carmo (UNEMAT)
Profa. Ma. Andreia
Mineto Paula (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)
Este Grupo de Trabalho propõe
discutir sobre pesquisas voltadas à ressignificação da Literatura
negro-brasileira, a qual compreende a construção de narrativas que descrevem a
memória coletiva nos espaços periféricos. Assim, essa produção literária abrange
uma dimensão significativa, pois ao descrever os registros históricos trazem à
tona evidências cruéis da marginalização e intolerância contra a população de
origem negra. Além disso, o processo de urbanização das cidades estabeleceu
estruturas econômicas desproporcionais entre a população, visto que as
ocupações territoriais nas áreas urbanas configuram o conforto, o
desenvolvimento socioeconômico. Contudo, em outras regiões torna-se evidente a
presença do afastamento social dos grupos minoritários, os quais compartilham
espaços mais precarizados e totalmente afastados das áreas centrais. O GT
acolhe estudos que se articulam aos conceitos sobre a territorialização do
corpo de Hernandéz (2016), a geografia do espaço de Milton Santos (2002), o
mito da desterritorialização Haesbaert (2004), a colonialidade do poder
Quinjano (2005), a resistência cultural de Gonzalez (2022), as memórias negras
de Conceição Evaristo (2007), a equidade racial de Cida Bento (2022), a
memória, a história e o esquecimento de Paul Ricoeur (2007), entre outros.
Desse modo, são esperados trabalhos que dialoguem com as manifestações
culturais, os processos identitários, a representatividade dos lugares de
memória e a presença das narrativas escritas por mulheres negras. Neste
contexto, torna-se essencial promover espaços de discussões, com pesquisas
interligadas diretamente à Literatura, História, Memória e Sociedade, pois
essas reflexões podem desenvolver um pensamento alinhado ao conhecimento que
problematiza e descontrói os estereótipos raciais, a fim de ampliar espaços de
pertencimento sensibilizando a população sobre a igualdade racial. Portanto, a
memória coletiva fortalece a resistência, pois não delimita somente a dimensão
geográfica, mas envolve elementos simbólicos, culturais e políticos que
transcendem uma análise literária acerca da compreensão entre, espaço, tempo,
memória e identidade.
Palavras-chave: Processos
identitários, Memórias negras, Ocupações territoriais
GT 4: REPRESENTAÇÕES
IDENTITÁRIAS E CULTURAIS DECOLONIAIS NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA
PORTUGUESA E AFRO-BRASILEIRA
Profa. Dra. Ana
Claudia Servilha Martins Poleto (INCT - CNPq
“Educação e Antirracismo” – GECOLIT - PROFLETRAS/UNEMAT/)
O presente Grupo de Trabalho (GT)
visa reunir pesquisas relativas às literaturas africanas de língua portuguesa e
afro-brasileira na perspectiva de análises e debates decoloniais
correlacionados às proposições de Walter Mignolo, que dialoga sobre a importância
de desconstruir as hierarquias de poder, saber e ser impostas pela
colonialidade, que ainda persistem na contemporaneidade. Assim, por intermédio
de diálogos com pesquisadores/as que se dedicam às literaturas contemporâneas
produzidas por diversos intelectuais da África e das Américas, objetiva-se
promover socializações que nos lancem ao desafio ético de revisitar os
processos históricos, culturais, sociais e memorialísticos de identidades e
territórios subalternizados e marginalizados pelos discursos eurocêntricos e
pelas cristalizações coloniais que ainda perpetuam ideologias e exotismos como
forma de manter sistemas opressores de poder. Desse modo, o arcabouço
teórico-crítico relativo aos estudos de Ana Mafalda Leite, Carmen Lúcia Tindó
Secco, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Edward Said, Frantz Fanon, Homi
Bhabha, Lélia Gonzalez, Luiz Silva (Cuti), Sueli Carneiro e Stuart Hall, entre
outros/as, contribui para as atividades de reflexão e ação anticoloniais e
antirracistas.
Palavras-chave: Literaturas
Africanas de Língua Portuguesa, Literatura Afro-brasileira, Colonialismos,
Decolonialismos.
GT 5: EU, EGRESSO DO PPGLETRAS
(ESTUDOS LINGUÍSTICOS): PRÁTICAS E REFLEXÕES
Profa. Dra. Leandra
Ines Seganfredo Santos (GEPLIAS – PPGLetras/UNEMAT)
Profa. Dra. Neusa
Inês Philippsen (GEPLIAS – PPGLetras/UNEMAT)
Profa. Dra. Olandina
Della Justina (GEPLIAS – PPGLetras/UNEMAT)
Este GT tem por objetivo
congregar e compartilhar trabalhos desenvolvidos junto ao GEPLIAS (Grupo de
Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada e Sociolinguística) ou que
contenham temas inerentes ao interesse do grupo. Sediado no contexto da
Amazônia Legal do Brasil, mais precisamente em Mato Grosso, cidade de Sinop, e
criado na Universidade do Estado de Mato Grosso, desde 2009, seus membros
(alunos, professores e pesquisadores) têm se dedicado à pesquisa em estudos
linguísticos atendendo a uma região diversa. Fomentar pesquisas em Linguística
Aplicada e Sociolinguística nessa região, outrora carente, tem sido uma
iniciativa indispensável para analisar as linguagens no contexto amazônico sob
os princípios científicos que os fenômenos requerem. Todavia, as produções
sempre estendem um diálogo com a produção científica de outras regiões e é
compartilhado o que se produz por meio de publicações, bem como em eventos
nacionais e internacionais. Os temas que convergem para propósito do GEPLIAS
são formação de professores, ensino-aprendizagem de línguas, multiletramentos,
línguas em contato e línguas minoritárias em Mato Grosso. Desse modo, insere-se
este GT como um espaço democrático de partilha de conhecimento em que são
apresentadas, revisitadas e divulgadas pesquisas, práticas e reflexões
desenvolvidas por egressos do Programa de Pós-graduação em Letras
(PPGLetras/UNEMAT) ou pesquisadores interessados nos temas em questão.
Palavras-chave: Estudos
Linguísticos, Linguística Aplicada, Sociolinguística
GT 6: HISTÓRIAS E EXPERIÊNCIAS
NA PERSPECTIVA DA PESQUISA NARRATIVA EM MÚLTIPLOS CONTEXTOS
Profa. Ma. Letícia
Adrielly da Silva (UNEMAT)
Profa. Ma. Mariana
da Silva Tomadon (UNEMAT)
Prof. Me. Flávio
Penteado de Souza (UNEMAT)
O presente Grupo Temático (GT)
tem como principal objetivo reunir variados estudos que adotem a pesquisa
narrativa como viés teórico-metodológico para investigar experiências,
histórias vividas e narradas, enquanto processos e fenômenos culturais, sociais
e institucionais, inseridos em contextos de pesquisa científica, bem como
contribuir e apontar caminhos possíveis em diferentes cenários da educação
contemporânea. Partimos da compreensão de que a pesquisa narrativa é uma
abordagem que se vale do estudo das histórias de vida e relatos de experiências
em diversos contextos (Clandinnin; Connelly, 1990). Estudos como de Clandinnin
& Connelly (1990, 1995, 1999), Vassalo (1999), Brandão (2011, 2022, 2023) e
Barcelos (2020), entre outros, discutem as narrativas como uma estrutura
fundamental da experiência humana, base primordial para nossas reflexões.
Buscamos valorizar e dialogar com pesquisas que utilizam as narrativas em
diferentes modalidades: visuais, orais, escritas, sinalizadas e multimodais.
Nesse sentido, este GT será um espaço para trocar experiências, reflexões
críticas e escuta do fazer pesquisa narrativa. Deste modo, buscamos propor um
espaço de reflexão crítica sobre os múltiplos modos de fazer pesquisa
narrativa, incentivando o diálogo entre pesquisadores, docentes e estudantes
das diversas áreas das ciências humanas - dispostos a fazer, promover e
divulgar estudos de cunho narrativo que impactam a sociedade, dentro e fora do
ambiente acadêmico.
Palavras-chave: Pesquisa
Narrativa, Histórias de Vida, Experiências, Práticas, Linguagem.
GT 7: ESTUDO DOS ASPECTOS
PRÁTICOS E TEÓRICOS, NO ENSINO/ APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA: TEORIA E
PRÁTICA
Profa. Ma. Priscila Ferreira de Alécio (UNEMAT)
O inglês como disciplina no curso
de Letras possibilita infinitas possibilidades ao licenciando, desde a teoria,
com o estudo de pesquisadores com essa vertente, até a prática, o que promove o
ensino, por parte dos futuros professores. O presente grupo de trabalho tem o
objetivo de expor pesquisas realizadas, no âmbito da língua inglesa, tanto na
prática, como na teoria, a fim de compilar investigações acerca da língua
adicional. Os estudos têm como ênfase os gêneros textuais na língua inglesa,
teoria e prática, como também aspectos morfossintáticos, semânticos e práticas
na educação básica. Os pressupostos teóricos pautam-se em Bortoni-Ricardo
(2004, 2005, 2013), Kumaravadivelu (1994, 2001, 2006), Moita Lopes (1996, 2002,
2006), Pennycook (1994, 2001, 2010) dentre outros. Como resultado tem-se que os
acadêmicos desenvolveram pesquisas, que promoveram a discussão, bem como
aplicação em sala de aula, uma vez que se utilizaram da teoria para elaborar a
prática, que será inserida pelos futuros docentes. Outro dado importante foi o
estado da arte, desenvolvido pelos discentes, no que diz respeito aos aspectos
morfossintáticos da língua inglesa, bem como a possível aplicabilidade dos
conceitos, em sala de aula. Assim, o compilado de trabalhos realizadas propõe
discussões, bem como possíveis práticas, que podem ser inseridas, em sala de
aula, no ensino de língua inglesa.
Palavras-chave: Língua
Inglesa, Prática docente, Estudos do Inglês na Universidade.
GT8: ESTUDOS DISCURSIVOS NA
EDUCAÇÃO
Profa. Ma. Rhafaela
Rico Bertolino Beriula (UNICAMP)
Os estudos discursivos têm
contribuído de modo decisivo para a compreensão dos processos de significação
que atravessam a educação, os sujeitos, as instituições e as práticas de
linguagem em diferentes espaços sociais. Este Grupo Temático tem como objetivo
promover um espaço de diálogo, reflexão e troca de experiências em torno das
relações entre discurso e educação, reunindo pesquisas, práticas e debates que
tomem a linguagem como lugar de produção de sentidos, de memória e de
constituição de sujeitos. Com destaque para a Análise de Discurso, este GT
acolhe também contribuições de outras perspectivas teóricas que se dedicam ao
estudo do discurso, desde que interessadas em problematizar os modos pelos
quais os sentidos se produzem, circulam e se estabilizam no campo educacional.
A proposta busca reunir trabalhos que abordem, os efeitos da linguagem nos
processos de ensino e aprendizagem. Em um evento que celebra os 10 anos do
PPGLETRAS e presta homenagem à professora Albina, este GT inscreve-se também
como gesto de memória, reconhecendo o valor da produção acadêmica, do encontro
entre universidade e comunidade externa e da permanência de trajetórias que
seguem significando no presente. Assim, pretende-se fortalecer um espaço de
escuta e interlocução para pesquisas que compreendem o discurso como instância
fundamental para pensar a educação em sua historicidade, complexidade e
potência transformadora.
Palavras-chave: Discurso,
Educação, Memória, Linguagem.