VI ENCONTRO DE EGRESSOS DO PPGLETRAS "VOZES DA AMAZÔNIA: estudos, pesquisas e práticas da linguagem”

VI ENCONTRO DE EGRESSOS DO PPGLETRAS "VOZES DA AMAZÔNIA: estudos, pesquisas e práticas da linguagem”

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Sobre o evento

A 6ª edição do Encontro de Egressos do Programa de Pós-graduação stricto sensu em Letras (PPGLetras) tem por objetivo fortalecer as ações de acompanhamento de egressos do programa e, simultaneamente, debater e acolher resultados de pesquisas, estudos, relatos de experiências e práticas protagonizadas por pesquisadores da linguagem, envolvendo professores da Educação Básica das redes pública e privada. Organizado por docentes discentes e egressos do PPGLetras que atuam na Educação Básica das redes pública e privada, o evento caracteriza-se como uma oportunidade para estreitar os laços, diálogos e parcerias entre Universidade, Educação Básica e a Sociedade Civil como um todo. A programação do evento agregará palestras, mesas redondas proferidas por egressos que atuam na Educação Básica das redes pública e privada e lançamento de livros dos egressos resultantes da Dissertação de Mestrado, publicados pela Editora UNEMAT e Editoras Comerciais, como a Parábola, Minicursos direcionados a alunos e professores da Educação Básica e sessões de comunicação oral em grupos temáticos (GTs) organizados a partir dos Eixos Temáticos Estudos Linguísticos e Estudos Literários, que se constitui um momento e espaço de diálogo e trocas de experiência entre a Universidade, representada pelos docentes e discentes da graduação e a Comunidade Externa, proncipalmente alunos e professores da Educação Básica. O evento será realizado na modalidade remota, por meio de atividades on-line via canal do YouTube e da plataforma Google Meet. O Encontro tem como público de interesse docentes, discentes e egressos do PPGLetras, docentes e alunos da Educação Básica, acadêmicos dos cursos de Pedagogia e Letras da UNEMAT e de instituições públicas e particulares loco-regionais.
O Evento é uma realização dos Grupos de Pesquisa: "GECOLIT - Grupo de Pesquisa e Estudos Comparativos de Literatura: tendências identitárias, diálogos regionais e vias discursivas (2007)" e "GEPLIAS: Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada e Sociolinguística (2009)".

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Convidados

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GTs - Grupos Temáticos

GT1: ANÁLISE DE DISCURSO: ENTRE BRASIL E FRANÇA

Profa. Dra. Débora Pereira Lucas Costa (UFPel)

Prof. Me. Milton Mauad de Carvalho Camera Filho (ETEC Sinop)

Prof. Me. Aureir Alves de Brito (FACHLIN – UNEMAT)

 

O presente grupo é resultado de uma série de cursos, desenvolvidos entre 2017 e 2021, sob orientação da Professora Drª. Cristinne Leus Tomé. Contando, ainda, com uma reedição, realizada em 2024, os cursistas selecionaram e estudaram um conjunto significativo de trabalhos, que fazem parte dos textos fundacionais da Análise de Discurso ou que desenvolvem questões bastante caras à essa disciplina. Pretende, assim, reunir pesquisadores que mobilizem os conceitos de dispositivos da Análise de Discurso, tendo em vista da especificidade de seu trânsito entre França, com destaque aos trabalhos de Michel Pêcheux e Michel Foucault, e Brasil, especialmente pelos desenvolvimentos de Eni P. Orlandi. Nesse campo, interessam-nos discussões em torno das noções de Discurso, Texto, Condições de Produção, Sujeito, Ideologia, Formações Discursivas, Formações Imaginárias e Memória, nos termos dos autores citados anteriormente. Pautados pelo entendimento de Eni P. Orlandi, de que o poder simbólico rege o jogo político, buscamos, mais especificamente, um conjunto de leituras que auxiliem a compreensão da relação entre a língua e o político. Propomos, portanto, uma investigação com interesse particular pelas relações simbólico-políticas que se estabelecem no contexto da Amazônia mato-grossense: pensar a língua para além dos sentidos dominantes (‘evidentes’), buscando um deslocamento daquilo que se apresenta como consenso, fruto da cristalização dos sentidos.

 

GT2: ANÁLISE DE DISCURSO: O REAL DA INTERPRETAÇÃO

Profa. Dra. Simone de Sousa Naedzold (FASTECH)

Prof. Dr. Leandro José do Nascimento (FASTECH)

 

O Grupo Temático (GT) “Análise de Discurso: O Real da Interpretação” se propõe a reunir trabalhos de diferentes áreas do conhecimento, sejam elas ligadas à Linguagem ou não, que, em perspectiva multi e interdisciplinar, adotem a Análise de Discurso de orientação francesa como base teórico-metodológica. Tem como objetivo refletir sobre as relações entre a interpretação e a argumentação, pressupostos teóricos esses trabalhados por autores como Michel Pêcheux e Eni Orlandi. Na atual conjuntura teórica, pensar a argumentação tornou-se algo essencial e necessário; acima de tudo, urgente. Em um mundo rodeado por tecnologias e pela cultura digital, múltiplos discursos circulam no espaço social, evidenciando cada vez mais o papel da interpretação no centro da produção de sentidos. Na perspectiva da AD, o ato de interpretar perfaz um gesto atravessado pela ideologia e sobre o qual se manifestam os efeitos de sentidos. Desta forma, este GT, proposto em âmbito do Grupo de Estudos e Pesquisa em Mídia e Comunicação sobre a Amazônia (GEMCA), da FASTECH - Faculdade de Tecnologia de Sinop -, convida pesquisadoras e pesquisadores a refletirem, a partir de suas análises, sobre os modos de produção, circulação e disputa de sentidos, articulando teoria e prática na investigação do real da interpretação. Ao final, espera-se contribuir para a promoção de um ambiente que promova um repensar das condições de produção de um ou mais discursos, a partir de tais noções teóricas.

 

GT3: CURRÍCULO, POLÍTICAS EDUCACIONAIS, MÍDIAS DIGITAIS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO

Prof. Dr. Luciano da Silva Pereira (UFMT – Cuiabá)

Prof. Dr. Leandro José do Nascimento (FASTECH)

 

 

O presente grupo de trabalho é uma ação interinstitucional entre o Grupo de Estudos e Pesquisa em Mídia e Comunicação sobre a Amazônia (GEMCA) da Faculdade FASTECH e o Grupo de Pesquisa Formação de Professores, Diversidade e História em contextos socioculturais e educacionais (GEPDSE) da UFMT. O eixo temático tem como objetivo discutir os contextos educacionais que perpassam a formação e a prática docente, a partir dos eixos: currículos, políticas, mídias digitais e as práticas pedagógicas. Dessa forma, buscamos realizar um grupo de trabalho que tenha relevância acadêmica e pedagógica, que proporcione o debate, a socialização e produção de conhecimento que possibilite aos participantes uma estreita relação entre os diferentes espaços formativos, seja na formação inicial ou continuada. A educação ao longo dos anos tem passado por diferentes modificações e avanços, impactando diretamente as formas de mediar o conhecimento, bem como a produção de conhecimento que desconstrua os saberes coloniais, e reconheça e valorize a diversidade escolar, por meio de pedagogias inovadoras, participativa e inclusiva, e essa só poderá se concretizar se os eixos citados anteriormente se tornarem fonte de debates, alterações e reconhecimento da realidade educacional, na busca pelo reconhecimento de currículo, políticas e práticas pedagógicas como um lugar de saberes plurais, espaço-tempo de transgressão e mudança (Walsh, 2009). Assim, a proposta visa contemplar o debate e o conjunto de práticas, estratégias e metodologias com as quais se fortalece a construção das resistências e das insurgências, rompendo com as estruturas coloniais que ainda moldam o pensamento, o conhecimento e a educação. Nesse sentido, esse grupo temático objetiva receber trabalhos centrados em estudos e pesquisas (em andamento e concluídas), de discentes da graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores do ensino superior e educação básica que discutam políticas, práticas pedagógicas, currículo e a inserção das mídias no processo educacional. Durante as apresentações, buscaremos estabelecer um espaço de reflexão diálogo, mediada pelo debate crítico, reflexivo e científico. Espera-se que o resultado dos trabalhos apresentados amplie ainda mais o campo das investigações, impulsionando as ações decoloniais no ensino e práticas que respeitem e valorize a diversidade e a inclusão educacional.

 

GT4: DA UNIVERSIDADE PARA A SALA DE AULA: COMO PESQUISADORES PODEM UTILIZAR SUAS PESQUISAS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM?

Profa. Ma. Rafaela Ketlyn Moreira Dahmer (Colégio Jean Piaget)

Profa. Letícia Santos Sampaio (UNEMAT)

Profa. Aline Cardoso Mota de Assis (UNEMAT)

 

A presente proposta de minicurso é pautada e idealizada a fim de proporcionar aos acadêmicos que saíram do espaço da universidade, após desenvolverem pesquisas, sejam elas TCC, dissertação ou tese, e encontram-se desorientados sobre como utilizarem as pesquisas desenvolvidas em sala de aula como um recurso pedagógico. Desta forma, apresentaremos estratégias que foram desenvolvidas e aplicadas através do uso de nossas pesquisas, para que os estudantes não apenas adquirissem conhecimento, mas também desenvolvessem habilidades como pensamento crítico, autonomia intelectual, capacidade de argumentação e resolução de problemas. Neste sentido, como referencial teórico, nos respaldaremos em autores que discutem sobre o desenvolvimento da língua portuguesa em sala de aula, que atuam nos estudos linguísticos e literários, uma vez que nossas pesquisas permeiam ambas as linhas teóricas. O minicurso será também um momento de debate entre os participantes para que possamos repensar a aproximação da universidade com a escola, pois, as pesquisas desenvolvidas visam contribuir com a sociedade. Assim, cada palestrante utilizará recortes de sua pesquisa a fim de evidenciar que o ato de pesquisar aproxima o aluno da prática científica, contribuindo para a formação de indivíduos mais conscientes e participativos em seu contexto social. Logo, destacarmos que quando bem orientadas e aplicadas, as pesquisas desenvolvidas na universidade podem gerar materiais que estimulam o protagonismo estudantil e permitem a construção coletiva do saber, tornando o ambiente escolar mais dinâmico, significativo e alinhado às demandas contemporâneas da educação. Por fim, também pretendemos demonstrar formas de incluir os conhecimentos teóricos nos planejamentos curriculares do ambiente escolar.

 

 

GT5: ENSINO BILÍNGUE INFANTIL: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E A AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM

Profa. Ma. Laíne Roberta Stefanelli da Costa (UNEMAT)

Prof. Me. Tiller Barbosa (UNEMAT)

 

Este Grupo de Trabalho tem como foco o ensino em língua inglesa e o ensino bilíngue voltado à infância, com atenção especial às práticas pedagógicas, à formação docente e às políticas linguísticas que configuram esses contextos de maneira singular no Brasil. A proposta ancora-se na Linguística Aplicada, que entende a linguagem como prática social, ideologicamente marcada e permeada por relações de poder (Moita Lopes, 2006; Pennycook, 2010). Assim, o GT busca promover discussões que questionem concepções essencialistas de aquisição de linguagem por crianças. Do ponto de vista pedagógico, autores como Cameron (2001) e Pinter (2006) destacam a importância de abordagens centradas na criança, que considerem suas formas específicas de aprender, valorizando ludicidade, afetividade e interação significativa. Essas perspectivas são apoiadas por estudos que evidenciam os benefícios do bilinguismo precoce (Byers-Heinlein & Lew-Williams, 2013) e a relevância de input linguístico rico e contextualizado. No âmbito da educação bilíngue, defende-se uma abordagem crítica às políticas linguísticas, especialmente no Brasil. Pesquisadoras como Bessa (2020), Megale (2018) e El Kadri (2019) alertam que, sem um olhar situado, essas políticas podem reforçar desigualdades e invisibilizar línguas indígenas e afro-brasileiras. O conceito de translanguaging (García, 2009; García & Wei, 2014) é central nesse debate, ao propor o uso dinâmico dos repertórios linguísticos das crianças como ferramenta legítima de aprendizagem. Este GT acolherá pesquisas e relatos que contribuam para uma compreensão crítica, ética e situada do ensino em língua inglesa, fortalecendo o diálogo entre pesquisadores, professores e formadores de professores.

 

GT6: ENTRE O SIGNO E O ASSOMBRO: INTERSECÇÕES CRÍTICAS ENTRE A LITERATURA FANTÁSTICA E A SEMIÓTICA

Profa. Ma. Giselli Liliani Martins (PPGEL/UNEMAT Tangará da Serra)

Profa. Ma. Sandra Maria Alves de Souza (PPGLetras/UNEMAT)

Prof. Me. José da Silva Araújo Júnior (PPGLetras/UNEMAT)

 

Este Grupo Temático (GT) tem como objetivo promover um espaço de discussão sobre as intersecções entre literatura fantástica e semiótica, reunindo pesquisas que se dedicam à análise do texto literário a partir de seus modos de significação, estratégias narrativas e construções simbólicas. A proposta parte do entendimento de que o fantástico, enquanto categoria estética que tensiona as fronteiras entre o real e o imaginário, e a semiótica, enquanto teoria dos processos de sentido, oferecem perspectivas complementares para a leitura crítica da obra literária. Pretende-se acolher trabalhos que operem com aportes teóricos diversos, como Greimas, Eco, Barthes, Roas, Todorov, Chiampi, entre outros, para promover diálogos entre literatura, linguagem e teoria crítica. Trabalhos que explorem o fantástico em suas diversas manifestações — como o insólito, o maravilhoso e o realismo mágico, por exemplo — bem como, estudos que façam uso de abordagens semióticas - discursiva, estrutural ou cultural, dentre outras - na análise de obras literárias, poderão contribuir com esta proposta temática. Interessa-nos refletir sobre como essas duas frentes dialogam na constituição do texto literário enquanto espaço de ambiguidade, representação simbólica e instabilidade de sentidos. O GT é aberto a investigações que abordem textos de diferentes gêneros, contextos e temporalidades, com especial atenção à literatura brasileira contemporânea, incluindo produções regionais e periféricas, dentre elas, a literatura produzida em Mato Grosso. O foco está na articulação entre linguagem e imaginação, estrutura narrativa e simbologia, revelando os modos pelos quais o texto literário mobiliza signos para construir mundos possíveis. Com isso, este GT busca fomentar uma rede de diálogo interdisciplinar entre pesquisadores interessados na relação entre literatura, formas de manifestação da linguagem e pensamento crítico.

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

 

 

GT7: ENTRELACES DA VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO E O DISCURSO DE ÓDIO

Profa. Dra. Vanessa Fabíola da Silva Faria (UNEMAT)

Profa. Roberta Bezerra da Silva (UNEMAT)

Profa. Jullya Mariny de Oliveira Silva (UNEMAT)

 

Este Grupo de Trabalho tem como finalidade congregar pesquisas que se debrucem sobre o contínuo discursivo que se estende da impolidez à violência verbal extrema em contextos de interação digital. A configuração comunicacional dos ambientes virtuais — como redes sociais, fóruns e plataformas de comentários — tem favorecido a proliferação de discursos polêmicos que, não raramente, ultrapassam os limites da impolidez para configurar formas explícitas de violência verbal, incluindo manifestações de discurso de ódio direcionadas a grupos minoritários. A proposta se embasa nas perspectivas teórico-metodológicas da Análise Textual dos Discursos (ATD), de abordagens enunciativo-discursivas e de estudos que articulem a interseccionalidade como categoria analítica. Essa abordagem permitirá uma compreensão aprofundada dos modos de produção, circulação e legitimação dos discursos de ódio e das formas simbólicas de violência no espaço digital. O Grupo de Trabalho propõe-se ainda a discutir os impactos sociais e políticos dessas práticas discursivas, bem como as estratégias de resistência e enfrentamento que emergem em contraposição a elas, bem como temas que abordem temas como: impolidez e incivilidade nas interações digitais; crescimento de discurso que conduz à violência verbal extrema; discursos de ódio com ênfase em misoginia e racismo em espaços virtuais; mecanismos de silenciamento e deslegitimação de grupos subalternizados; articulações interseccionais na produção da violência verbal (interações entre raça, gênero e sexualidade); dinâmicas de resistência discursiva e construção de contranarrativas e também análises de episódios específicos de agressão verbal em redes sociais e outras plataformas digitais.

 (O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-Brasil (CAPES)- Número do processo 88887.995122/22024-00)

 

 

GT8: EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS COM PESQUISA NARRATIVA

Prof. Me. Flávio Penteado de Souza (UNEMAT)

Profa. Ma. Letícia Adrielly da Silva (UNEMAT)

Profa. Ma. Mariana da Silva Tomadon (UNEMAT)

 

Este Grupo de Trabalho reúne pesquisadores interessados em abordagens narrativas como caminhos teórico-metodológicos para investigar práticas e experiências mediadas pela linguagem. Entendemos a pesquisa narrativa como qualquer abordagem que se constitui por meio de histórias de vida e relatos de experiências de sujeitos (Cf. Clandinnin & Connelly, 1990). Ancoramo-nos nos estudos de Clandinnin & Connelly (1990, 1995, 1999), Vassalo (1999), Brandão (2011, 2022, 2023) e Barcelos (2020), entre outros, que discutem as narrativas como uma estrutura fundamental da experiência humana. O GT acolhe pesquisas que utilizam narrativas em diferentes modalidades – visuais, orais, escritas, sinalizadas e multimodais –, valorizando a pluralidade de formatos e enfoques analíticos. São bem-vindos trabalhos que tratam a narrativa tanto como dado empírico quanto como perspectiva de análise. Temos como objetivo, propor um espaço de troca, fala, escuta e reflexão crítica sobre os múltiplos modos de fazer pesquisa narrativa, incentivando o diálogo com pesquisadores, educadores, estudantes de graduação e de pós-graduação entre diferentes áreas das ciências humanas com afinidade em pesquisas de cunho narrativo, dispostos a promover, realizar e divulgar estudos e pesquisas com a comunidade acadêmica e com a sociedade. Consideramos a pesquisa narrativa como uma forma conhecer/entender e problematizar as realidades de professores e aprendizes interessados em práticas de ensino-aprendizagem de línguas (Cf. Gomes Junior, 2020), bem como os processos de constituição identitária (Cf. Bastos; Biar, 2015).

 

GT9: FICÇÃO E MEMÓRIA: ENTRE FATO E VOZES FRATURADAS NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA

Profa. Ma. Claudia Miranda da Silva Moura Franco (UNESP – IBILCE)

Profa. Ma. Kátia de Oliveira Carvalho (UNEMAT)

Prof. Me. Antonio César Gomes da Silva (UNEMAT)

 

Este Grupo de Trabalho propõe reflexões sobre os modos como a literatura contemporânea, sobretudo no espaço da lusofonia, articula ficção e realidade, memória e história, em um jogo de espelhamentos que tensiona os limites do factual e do imaginário. Parte-se da análise de narrativas que possibilitam a investigação de um novo realismo, perceptível na forma como essas produções lidam com a memória histórica e com os traumas coletivos, como o colonialismo e a ditadura, permeados pela violência. As fronteiras entre o histórico e o literário diluem-se; desse modo, a ficção torna-se um espaço de amadurecimento, deslocamento e reconstrução de identidades. No caso das narrativas de língua portuguesa, evidencia-se um “filtro prévio da memória”, que confere sentido aos acontecimentos sem apagá-los. No lugar do herói histórico, emerge personagens construídas com historicidade, cujas experiências individuais ecoam feridas sociais e coletivas ainda abertas. Dessa forma, o presente Grupo de Trabalho busca evidenciar como as literaturas de língua portuguesa atualizam o passado e ressignificam suas violências, abrindo espaço para debates sobre identidade, memória e resistência, em consonância com problemáticas pós-coloniais e pós-ditatoriais.

 

GT10: LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA, AFRO- BRASILEIRAS E INDÍGENAS: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E PAISAGENS IDENTITÁRIAS

Profa. Dra. Ana Claudia Servilha Martins Poleto (GECOLIT - UNEMAT)

Profa. Dra. Adriana Lins Precioso (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

 

O presente Grupo Temático (GT) objetiva reunir pesquisas relativas às literaturas africanas de língua portuguesa, afro-brasileiras e indígenas no que tange os conceitos sobre identidade, história e memória sob a perspectiva do pensamento decolonial. Considerando a tessitura crítica de Benjamin Abdala Jr. (2002) é imprescindível dar significação “a um grupo ou território, que luta pelo direito à diferença”. Nessa vertente, problematizações sobre a conjuntura social contemporânea de diversas cidadanias subalternizadas se inter-relacionam e perpassam obras de intelectuais das letras que buscam o caminho possível de legitimações pela ficção e pela representação nas mais variantes esferas artísticas. Partindo desses pressupostos, pretendemos visibilizar diálogos sobre escritas literárias que trazem à cena protagonistas negros/as e indígenas, bem como, textualidades que evidenciam reflexões e práticas decoloniais e emancipatórias. Os estudos de Antonio Candido (2008), Ana Mafalda Leite (2010) , Benjamin Abdala Jr. (2002), Cuti (2010), Djamila Ribeiro (2017), Edward Said (1995), Frantz Fanon (2007), Homi Bhabha (1998), Stuart Hall (2005), entre outros importantes teórico-críticos contribuem para os debates interseccionais propostos. Em suma, priorizamos trabalhos que se centram em autores/as e títulos que, de algum modo, contemplam as políticas de ações afirmativas, através das quais diálogos voltados para a história e a cultura africana, afro-brasileira e indígena passaram a ser obrigatórios no currículo da educação brasileira.

 

GT11: MEMÓRIAS INSUBMISSAS: ESTUDOS DECOLONIAIS DAS LITERATURAS NEGRO-BRASILEIRA, AFRICANAS E AFRODIASPÓRICAS

Prof. Dr. Jesuino Arvelino Pinto (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

Prof. Me. Thiago Monteiro do Carmo (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

Profa. Ana Paula Peixoto (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

 

Este Grupo de Trabalho objetiva reunir pesquisas que tenham como ponto de partida as literaturas negro-brasileira, africanas e afrodiáspóricas como forma de perpetuação e representação da memória e do enfrentamento aos sistemas de dominação contra o povo africano, afro-brasileiro e africano em diáspora. Recebe, portanto, estudos que investiguem as múltiplas formas de escrita, sejam elas em prosa, poesia, ou drama e que captem as formas de resistência e vida do povo negro no Brasil e no mundo. Silenciados durante um longo período, os negros tiveram sua história relegada aos processos de colonização, sendo esta narrada em boa parte pela ótica do forasteiro, que ora o estereotipou, ora o diminuiu (Adichie, 2009). De acordo com a ideia de Antônio Bispo dos Santos (2015) de que é preciso estabelecer um processo de contracolonização a esse sistema de voz hegemônica, esse GT busca estudos capazes de refletir o povo negro como protagonista de sua história, e conhecer as formas estéticas utilizadas para manter suas memórias, existências e resistências representadas por meio da literatura. Evoca, portanto, os ideais de que é preciso falar e romper com a máscara (Kilomba, 2010) que cala o povo negro perpetuando suas formas de existir e ocupar o mundo do qual fazem parte. Na esteira desse processo, os estudos aqui propostos devem refletir sobre a resistência como parte da vida das pessoas, e por isso, constituída como bem simbólico presente em suas formas de escrever e representar através da arte. Resistir é inerente às nossas vontades, e de um jeito, ou de outro resistimos a nosso modo, às intempéries da vida. Deste modo a escrita é vista como uma forma de demarcar a existência, mas também de resistir aos eventos de silenciamento, exclusão social, religiosa e de gênero, descritores pouco compreendidos nas relações políticas atuais. Neste sentido é preciso romper com as dominações epistemológicas do colonialismo dinamizando as formas de conhecimento e abrindo espaços para uma ecologia dos saberes, que dê voz aos povos e reconheça a literatura como forma de reivindicação pelo direito de existir plenamente, e como uma condição da diversidade do mundo (Rufino, 2021).

 

 

GT12: O QUE NÃO NOS CONTARAM: A LITERATURA FEMININA NEGRA DESVENDANDO O SILENCIAMENTO HISTÓRICO

Profa. Ma. Luciane Ferreira (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

Prof. Ednaldo Saran (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

Profa. Queli Cristina Rezende Macêdo (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

 

O objetivo deste Grupo de Trabalho (GT) é explorar as complexas dinâmicas de silenciamento histórico e cultural que marginalizaram as vozes, experiências, produções intelectuais e artísticas das mulheres negras no campo literário e em outros espaços de representação. A temática proposta parte do reconhecimento de que o silenciamento feminino negro é uma forma específica de opressão, resultante da intersecção do racismo e do sexismo. Historicamente, as mulheres negras foram frequentemente excluídas das narrativas literárias dominantes, tanto na posição de sujeito quanto na de autoras. Quando presentes, eram amiúde confinadas a estereótipos raciais e de gênero, tendo suas experiências complexas e perspectivas únicas sistematicamente ignoradas ou distorcidas. O GT visa analisar como a literatura feminina negra contemporânea emerge como um espaço de enfrentamento desse silêncio histórico. Autoras negras resgatam suas próprias histórias, as de suas ancestrais, desafiando as representações hegemônicas e construindo novas narrativas de identidade, resistência e empoderamento. Essa proposta se concentrará em agrupar trabalhos que revelem como a linguagem literária é utilizada para subverter normas, reivindicar a voz, explorar a ancestralidade e denunciar as múltiplas formas de opressão. Em suma, este GT intenciona reunir pesquisas nas quais a literatura feminina negra desvenda o silêncio histórico imposto, revelando as narrativas não contadas e contribuindo para uma compreensão mais rica e plural da experiência humana e da produção literária. Serão aceitos trabalhos que abrangem as estratégias literárias de resistência, a construção de identidades e a importância da memória e da ancestralidade na escrita de mulheres negras.

 

GT13: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM PERSPECTIVA: INTERFACES ENTRE O PORTUGUÊS BRASILEIRO, LÍNGUAS ADICIONAIS E IDENTIDADES SOCIOLINGUÍSTICAS

Prof. Dr. Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida (FFLCH – FLP – USP)

Profa. Ma. Karina de Jesus Araujo (FFLCH – FLP – USP)

Profa. Ma. Priscila Ferreira Alécio (UFMT)

 

O objetivo deste Grupo de Trabalho (GT) é criar um espaço de encontro e diálogo entre pesquisadores e educadores que se dedicam ao estudo da variação linguística no português brasileiro e nas línguas adicionais faladas em contextos multilíngues. A proposta se fundamenta na concepção de que toda língua é viva, dinâmica e profundamente marcada pelas realidades históricas e sociais em que está inserida — refletindo influências geográficas, culturais, sociais e étnico-raciais. Nosso foco abrange pesquisas que investiguem a riqueza e a diversidade das formas do português falado no Brasil, assim como suas interações com outras línguas presentes no território nacional, como as línguas indígenas, as de imigração e a Libras (Língua Brasileira de Sinais). O GT pretende discutir temas como o contato entre línguas, a variação interlinguística, o bilinguismo e o multilinguismo. Além disso, buscamos refletir sobre como essas variações impactam o ensino, influenciam as políticas linguísticas e contribuem para a construção das identidades dos falantes. Esperamos reunir trabalhos que tragam contribuições teóricas, relatos de experiência e propostas metodológicas, fortalecendo o reconhecimento e a valorização da diversidade linguística, especialmente no contexto educacional. Serão especialmente bem-vindas propostas que abordem o mapeamento dialetal, o uso de corpora orais e escritos, a presença da variação linguística na mídia e nas tecnologias digitais, bem como práticas pedagógicas que promovam a inclusão linguística.

 

GT14: VOZES FEMININAS CONTEMPORÂNEAS: LINGUAGEM, RESISTÊNCIA E SIMBÓLICO

Prof. Me. Igor Marangon (UNIFASIPE - GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

Profa. Luana Grassi da Silva (GECOLIT - PPGLetras/UNEMAT)

 

Este Grupo de Trabalho propõe discutir as produções literárias de autoria feminina no contexto contemporâneo, com foco nas formas como a linguagem é mobilizada como instrumento de resistência, construção simbólica e reinvenção identitária. Pretende-se acolher trabalhos que abordem temas como corpo, memória, subjetividade, ancestralidade e insurgência nas literaturas produzidas por mulheres na atualidade. A escrita de autoria feminina, nesse sentido, rompe com estruturas patriarcais e sexistas ao abrir novos espaços de diálogo, criação e resistência frente às tradições enraizadas em práticas de exclusão, preconceito e silenciamento. Escrever, para as mulheres, é promover debates, preencher lacunas, recriar memórias e dar voz a sujeitos historicamente subalternizados. Como afirma Rita T. Schmidt (2019, p. 66), “as vozes dessas autoras se fazem ouvir pelas fissuras que desencadeiam”, revelando o potencial transformador da palavra literária. Assim, este GT entende a literatura como um espaço simbólico de pluralidade discursiva, onde se manifestam diferentes formas de ser e estar no mundo. Propomos, portanto, um espaço de reflexão que evidencie o protagonismo das mulheres, em sua diversidade e multiplicidade, na literatura brasileira contemporânea, destacando suas práticas de resistência, ressignificação e insurgência estética e política.

(O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-Brasil CAPES  - Processo nº: 88887.906371/2023-00.)

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