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Apresentação

CONSTRUIR REDES DE COOPERAÇÃO E COLABORAÇÃO

FORTALECER LAÇOS E COMPROMISSOS DE SOLIDARIEDADE

 


 

Consideramos que a “Feira Pantaneira: Sociobiodiversidade, Saberes e Sabores” é um movimento de concertação interinstitucional de construção de redes de cooperação e colaboração para fortalecer laços e compromissos de solidariedade.

São processos de encontros entre universidades, políticas públicas (gestores/as), organizações e movimentos sociais populares, reunindo agricultores/as familiares, artesãos/ãs, povos indígenas, quilombolas, catadores/as, juventudes, mulheres, estudantes, educadores/as, pesquisadores/as para reconhecer, refletir e ampliar práticas sociais, conhecimentos e saberes sobre direitos humanos, educação popular, socioeconomia solidária, agroecologia, bioeconomia, auto-organização, autogestão, trabalho associado.

Construir redes significa provocar e dinamizar os encontros e os entrelaçamentos. Na 13ª edição, o evento promoveu a troca de saberes, a comercialização de produtos e o fortalecimento dos modos de vida e os modos de produção, valorizando a sustentabilidade, a cooperação, o reconhecimento das diversidades culturais e a construção coletiva de conhecimentos e de práticas sociais libertadoras.

Ao se constituir como rede de cooperação e de colaboração, a Feira Pantaneira se configura como espaço e movimento de articulação entre agentes sociais e cognoscentes, entidades organizacionais populares e instituições públicas. Tem como atividades a exposição e a comercialização de produtos; a socialização de conhecimentos; o intercâmbio de experiências socioprodutivas; a avaliação e o planejamento de ações coletivas; a interação de grupos sociais; a promoção da cultura; a afirmação da autonomia das pessoas para pensar e realizar estilos de vida condizentes com a existência e as experiências.

Por que falamos de socioeconomia solidária? Por considerarmos que é uma forma de organização econômica baseada na autogestão, na cooperação, na solidariedade e na centralidade do trabalho humano. Tem como objetivo a construção de alternativas ao modelo econômico dominante. A socioeconomia solidária nasce das experiências dos pobres, que resistem e propõem modos coletivos e cooperativos de trabalhar e de distribuir os bens produzidos. Promove a ética da corresponsabilidade, da coletividade e do bem viver. As práticas sociais singulares dos grupos sociais populares, se transformam em movimentos sociais e propõem políticas públicas. É um movimento processual envolvente que engloba mais pessoas, novas experiências, outros aprendizados.

Por que tratamos da agroecologia?  Por esta ser uma abordagem de produção que integra a sustentabilidade ambiental, a valorização dos saberes tradicionais; a produção de alimentos saudáveis, o conhecimento científico em diálogo com os saberes populares, compreende a natureza, os ecossistemas e as culturas como organizações complexas da vida.

Na diversidade sociocultural tratamos da coexistência, mas também dos conflitos e contradições da existência de diferentes grupos étnico-raciais, de práticas sociais de organização, de valores éticos e políticos, da relação com a natureza, linguísticos, religiosidades e geracionais nos territórios. A diversidade sociocultural é importante para reconhecer os modos de vida, de ser e de se relacionar; as percepções e concepções de mundo. O reconhecimento das diversidades possibilite e promove a igualdade social, ativa a cidadania, a mutualidade e a reciprocidade. Ao se opor e combater a padronização influir movimentos para garantir direitos de autodeterminação dos povos e dos grupos sociais.

Os referenciais teóricos e as práticas sociais da diversidade sociocultural englobam as múltiplas formas de organização e expressão societais. Destacamos três dimensões constituintes:

a) Multiculturalidade que marca e configura a presença e o reconhecimento de várias culturas convivendo em espaços geográficos, estruturas sociais, organizações institucionais, valores éticos e modos de ser em sociedade.

b) Interculturalidade: representa o aprofundamento da interação, do diálogo e do intercâmbio de técnicas, de práticas e de saberes entre grupos sociais.

c) Identidade e território: representa a configuração da cultura e os modos de interagir com o ambiente, as estruturas de poder, as agências e os atores sociais, as formas de organização, as redes de colaboração e de cooperação para a construção da educação e da socioeconomia solidária.

Na XIII Feira Pantaneira fizeram-se presentes grupos socioculturais: indígenas, quilombolas, morroquianos, camponeses, mulheres, juventudes, catadores/as, estudantes, pesquisadores/as. Ainda entidades e movimentos sociais, universidades, associações, cooperativas, gestores/as públicos/as.

A diversidades sociocultural gerou possibilidades de concertação interinstitucional realizada pelas entidades implicadas no planejamento, organização, realização e avaliação da Feira Pantaneira: sociobiodiversidade, saberes e sabores, que tem como princípios, métodos e objetivos desenvolver ações pedagógicas de aprendizagem do associativismo e do cooperativismo. Há o pressuposto ético e político que afirma que a coletividade é uma força de imaginação criativa de superação das condições de dominação e de exploração para a geração de mecanismos institucionais, princípios éticos e filosóficos, movimentos educacionais e experiências organizacionais para concretizar relações humanas de solidariedade e de cooperação.

Reconhecemos que a esperança maior de transformação social será possível quando as entidades, as organizações, os movimentos e as pessoas se articularem em dinâmicas confluentes de fortalecimento de laços e de compromissos na construção social de realidades de cooperação e de solidariedade.


Prof. Dr. Laudemir Luiz Zart

(PPGEdu/UNEMAT)

Núcleo Unitrabalho

 




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Responsável

Coordenador

Prof. Dr. Laudemir Luiz Zart (PPGEdu/UNEMAT)

E-mail: zart@unemat.br


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